Educação

Faculdades usadas por pastor para vender diplomas estão abandonadas

FACULDADE ABANDONADA

Professores não recebem há meses, água e luz são cortadas, alunos pedem transferência, e o aluguel não é pago ao ponto de se estar à beira de um despejo.

Essa é situação da Facel (Faculdade de Administração, Ciências, Educação e Letras) e da Spei(Sociedade Paranaense de Ensino e Informática), em Curitiba, duas das instituições usadas para emitir diplomas falsos por sua mantenedora, o Grupo Digamma Educacional, com sede em São Paulo.

O esquema, que envolvia ao menos oito faculdades particulares de cinco estados, foi coibido nesta quarta (28) pela Polícia Civil de SP. Sete pessoas foram presas em flagrante e outras quatro estão sendo investigadas.

Entre os detidos, está o dono da empresa, um pastor da Assembleia de Deus conhecido como José Caitano Neto. A Folha teve acesso a emails internos da empresa que comprovam a prática.

A Facel foi comprada pela mantenedora no final de 2015 e a Spei, em 2016 -ambas já com as contas no vermelho. Apesar das promessas de investimentos e melhorias quando a empresa as assumiu, a situação só piorou.

Até hoje nem o valor da compra foi quitado na Facel, que antes pertencia à Associação Educacional das Igrejas Evangélicas Assembleia de Deus no Paraná. Já o aluguel não é pago desde novembro de 2016, de acordo com o sindicato de lojistas dono do prédio, o Sindilojas Curitiba.

Considerando que são R$ 47 mil mensais com o IPTU, a dívida chega a no mínimo R$ 800 mil no período, sem contar juros e multas.

“Ele [José Caitano Neto] já propôs acordos absurdos, para parcelar em até 36 vezes, mas não aceitamos”, diz Gerson Ricardo Garcia, assessor de comunicação do sindicato. “A água também ficou atrasada por meses.”

Quanto aos salários dos professores, não são pagos desde setembro. “Eles deviam folhas até de 2015 e 2016, mas conseguimos que uma parte fosse quitada”, disse Valdyr Perrini, presidente do Sinpes (Sindicato dos Professores de Ensino Superior de Curitiba).

Mesmo sem os pagamentos, ainda há docentes lecionando e alunos estudando. Mas, com a situação precária, muitos funcionários pediram as contas ou foram demitidos, e uma grande parte dos estudantes solicitou transferência para outras instituições.

Nos tempos áureos da Facel, que existe desde 1999, havia mais de 2.500 alunos e cerca 120 professores -em janeiro deste ano estimava-se aproximadamente 600 estudantes e 50 docentes.

O professor Ricardo Martins, que trabalhou lá de 2012 a meados de 2017, contou que existiam falhas de estrutura também nas salas de aula. “Havia classes sem equipamentos funcionando, como computador, e faltava giz.”

A faculdade tem 12 cursos de graduação -incluindo logística, marketing, psicologia e teologia- e 1.208 de especialização cadastrados no Ministério da Educação, com permissão para dar cursos a distância. As mensalidades giram em torno de R$ 200 a R$ 400.

Outras

A Spei também passa por tempos turbulentos, com rotina de direitos trabalhistas esquecidos, serviços básicos cortados e demissão de funcionários. A direção que assumiu a faculdade em janeiro de 2017 para tentar colocar os pagamentos em dia decidiu se desligar no início de 2018.

Essa equipe divulgou uma nota dizendo que “os salários que já vinham sendo pagos com atrasos simplesmente deixaram de existir” quando a faculdade foi comprada por Caitano Neto e que, ao longo do ano passado, cansou de ouvir promessas e acordos não cumpridos pelo Grupo Digamma.

No caso da EBS Business School, outra faculdade de Curitiba adquirida pelo grupo em 2016, o caso foi mais extremo. A faculdade fechou as portas e não teve aulas já no ano letivo de 2017.

Seu antigo dono, que não quis ter seu nome divulgado, diz que dois anos depois ainda não recebeu o valor da compra da instituição e continua tendo problemas financeiros por causa dela -a mantenedora não pagou aluguel até ser despejada, e ele ainda era fiador da faculdade.

“O pior de tudo é que se destruiu uma escola de excelência”, afirmou ele. “No exame do Enade 2012 em administração [a EBS] ficou em primeiro lugar entre as instituições privadas de ensino superior de Curitiba.”

Por email, antes de ser preso, Caitano Neto declarou que “os motivos para não realização [do pagamento da EBS e da Facel] já estavam em trâmite na Justiça, e a negociação corria em esteira confidencial”.

Ele também negou atrasos em salários e contas de luz e água e disse que o Sindilojas havia “se recusado a negociar” um acordo para o aluguel do prédio da Facel.

Com informações da Folhapress/NM

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